quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Imagem da internet


Ver a vida com outros olhos



A noite foi mal dormida.
Daqui a pouco mais um grupo de formandas vai fazer o exame final, e eu sinto-me responsável pelo o seu desempenho. 20 meses de trabalho, mas principalmente, duas semanas de muito nervosismo e trabalho. As alunas têm andado ansiosas e  inseguras, questionando-me sobre os vários cenários, sobre as reprovações e sobre as recuperações. Percebe-se o sentimento geral: uma fase difícil das suas vidas em que será necessário um grande esforço para a conseguirem ultrapassar.
Cheguei mais cedo e já lá ao fundo as formandas esperavam.
À minha frente seguia um casal.
Não fossem as bengalas, e seria um casal igual a todos os outros que saía de manhã para o trabalho. Conversavam enquanto caminhavam um à frente do outro. O espaço era apertado mas moviam-se como se vissem os obstáculos. Ao passarem pelo grupo de formandas disseram bom dia.  O homem do casal atravessou o estacionamento e foi deixar o lixo no contentor, apressou o passo para alcançar a esposa, e retomaram o caminho e a conversa. Aproximaram-se da passadeira, "olharam" o trânsito  e atravessaram quando lhes deram passagem. Um pouco mais à frente deram um beijo.
 Ela seguiu em frente e ele e virou  nessa esquina.
Também eu cheguei à escola.
Sorri às minhas formandas e disse-lhes: se eles conseguem...
Devolveram-me o sorriso  e vi a confiança nascer-lhes no rosto.





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